A atual concepção de organização associativa e administrativa do Grêmio está dando mostras de fadiga. Já não consegue responder às necessidades do Clube, finalísticas e financeiras. É um modelo que, como todos os clubes brasileiros de futebol, deixa a instituição sem rumo. O único rumo parece ser a Arena (que Sidnei, em outro Post, pontuou corretamente, deve chamar-se Estádio Grêmio Monumental), mas é um rumo ainda incerto e temerário. E pelas notícias mais recentes, cada vez mais temerário.
É um momento delicado, saibamos lê-lo corretamente – Sócios, Funcionários, Atletas, deveriam considerar-se como “ativos” do Clube, e tornarem-se mais “rentáveis”. Não está havendo comprometimento para se ganhar dinheiro. A respeito, a idéia já fora trazida à luz e particularmente Antonio Carlos de Azambuja tem sido pioneiro nesse aspecto: ele já propôs que o Clube lançasse uma forma de debêntures a serem convertidas em ações, que poderiam atender as atuais classes de Sócios (Fundo Social, Remido, Proprietário), ordinárias e preferenciais, como forma de capitalização. Mas parece que a opção não é ser rentável; ao contrário, tem comprometido o seu patrimônio para encarar suas despesas crescentes.
A crise não é nova, para nenhum clube, mas ninguém quer se arriscar a uma solução. Percebem-se claramente compromissos políticos entre os integrantes do Conselho Deliberativo, sobrepondo-se aos interesses do Grêmio, a disputa hegemônica é cruel e deletéria. Esta lenta, mas inexorável marcha está matando o Clube. Um paradoxo, especialmente se vindo dos que dizem querer salvar o Clube. O próprio Conselho necessita de uma modificação profunda na sua finalidade e no seu funcionamento.
Temos os famosos “feudos” ou “pequenos reinados”, em que muitos gerentes de diversas áreas ou são amadores entusiasmados ou são profissionais não adequados para o cargo, mas que gozam de prestígio e poder, servindo-se do Clube mais do que o servindo, tomando decisões que nem sempre são positivas para a Instituição.
Discutimos cláusulas de barreira, um modo de desagradar a todos, quando deveríamos discutir a mudança radical de um sistema eleitoral que impede o necessário “arejamento” de todas as instâncias. Discutimos qual jogador em qual posição e quem o técnico deveria escalar, quando deveríamos discutir o que o futebol representa para o Grêmio e o que estamos fazendo com ele. Discutimos as agressões policiais contra Associados e Torcedores que não conseguem acesso, quando deveríamos discutir como fazer 70.000 pessoas caberem em 50.000 lugares. Discutimos nomes de gerentes, vice-presidentes, coordenadores, quando deveríamos discutir o modo de gestão atualmente usado.
Parece remédio em demasia ou forte demais? Antes do veredicto, é preciso que saibamos, todos, que quando um Clube está doente, ele necessita de atos muito fortes; violentos, quem sabe, na perspectiva conservadora. Se for decidida uma virada no modo-de-ser do Clube, isso tem de ser feito fortemente, até com rudeza. Caso contrário, transformamos a virada em reforma e mudamos para ficar tudo igual. Nada mais nefasto.
Assim, a idéia central que tento expor é reviver o Grêmio, salvá-lo, e não às conveniências políticas de um Conselho. E se ele for realmente um Conselho Deliberativo, entenderá e apoiará a virada. Muitos gerentes contratados não têm conseguido tomar as medidas precisas para dar a virada e tornar o Clube saudável. Não é por incompetência. É por modelo ultrapassado de decisão e visão administrativa.
Dizem os espanhóis: “cada uno su ofício”, mas se palpita sobre tudo e se retardam, quando não se impedem, as soluções. Redução de pessoal, de jogadores, reavaliação de cargos e salários com restrição de valores (incluindo jogadores e comissão técnica), racionalização de processos. Tudo isso necessita ser implementado e implantado. O Conselho permitirá? Se ao menos delegar certas competências a Direção Executiva para que ela possa dar, realmente, os passos rumo à virada, um voto de confiança, já seria de bom tamanho. Com indicadores de avaliação, de desempenho e de correção quando preciso. Com prazos definidos. Elaborar a visão de um Clube em que a administração fosse sempre profissional, fiscalizada, controlada e remunerada de acordo. Precisamos contemplar o tempo presente e o mundo ao redor, para além das paredes do Estádio.
Sejamos um Clube aqui também vitorioso, que não sucumba aos nossos específicos desejos e que reconheça a necessidade estratégica de realizar mudanças decididamente importantes.
Abraço tricolor,
Raul F Iserhard


09/07/2009 às 16:33
Não entendi a parte que diz “E pelas notícias mais recentes, cada vez mais temerário.”
Quais notícias?
09/07/2009 às 18:41
O que está realmente matando o Grêmio é essa disputa constante e descabida entre grupos políticos que colocam seus interesses em obter poder no Grêmio, mesmo que não saibam o que fazer com ele, acima do interesse da instituição, como está acontecendo no momento. Sem união, sem consenso, marcaremos passo, e a prova que não percebem o mal que nos fazem é que comentanto sobre a falta de título significativo após o aparecimento desses grupos fui contrariado por uma destas pessoas me alegando que fomos campões em 2001. Gremistas, são 8 anos, e eles acham normal. Deus nos ajude e salve, a cegueira está institucionalizada.
09/07/2009 às 19:20
Estou com o Giuliano, também fiquei sem entender o trecho; a propósito o dr. Preis já está rouco de tanto falar mas parece que quando as pessoas nao querem escutar nao adianta então o melhor mesmo é ignorar;
com relação a grupos politicos, penso que isto faz parte da democracia, o pluritpartidarismo, e antes de achar temerário acho saudável,o exercício da condução deles é que pode eventualmente, como disse o flávio, resultar em atos danosos … mas a co-existência destes grupos é recente e penso que com o tempo irá se apaziguar, afinal saimos de um século inteiro em que o poder rolava na mao dos mesmos ….
09/07/2009 às 22:04
Prezado Josias,
Gostaria muito mesmo de estar enganado, pelo bem do Grêmio, mas não consigo ter o teu otimismo pelo simples motivo de só ver individualismos, e uma procura obsessiva do pober pelo poder, vaidades expostas, e nosso amado Grêmio relegado a segndo plano.
10/07/2009 às 08:43
Caro Raul!! concordo com o Josias, a questao politica dos grupos é necessária e faz parte da democracia. É assunto ainda muito novo para termos alguma conclusao a respeito . MAS COM UMA COISA NAO CONCORDO COM SUA COLOCACAO – COLOCAR 70MIL NO LUGAR DE 50MIL. REALMENTE ESTA AFIRMACAO É MALICIOSA, POLÍTICA, COMO TU MESMO FALOU DE ALGUEM INTERESSADO POLITICAMENTE. NO JOGO EM QUESTAO TINHAM MENOS PESSOAS QUE NO JOGO DO DIA DAS MAES. ENTAO POR FAVOR, INFORMCAO ERRADA E MELICIOSA NAO.
QUANTO AO ASSUNTO DA ARENA, É SABIDO DA TUA CONTRARIEDADE A RESPEITO. ASSIM, ESTAMOS DESCONSIDERANDO…. ATT
10/07/2009 às 10:45
Senhores, agora a pouco estava conversando com um amigo e nos surgiu uma dúvida.
Todos já repararam que a área do posto de gasolina está em obras.
Todos sabem que a área é do Grêmio e que existia um contrato de “locação” da área que teria tido o seu término no ano passado. Ao que consta, o mesmo foi renovado.
Assim questiono:
- por qual motivo alguém estaria investindo em reforma de um posto que se localiza em um terreno alugado e que será entregue para a OAS quando a arena estiver pronta?
- o novo contrato é pelo período de quanto tempo?
- existe alguma cláusula de ressarcimento ao dono do posto pelo término do contrato antes do seu final, caso a OAS exija o terreno?
- a área do posto entrou no contrato da arena?
- alguém aqui investiria recursos em algo que terá que entregar nos próximos 3 anos?
- existe algum acordo entre o proprietário do posto e a OAS?
10/07/2009 às 11:57
Acho que a primeira pergunta que deve ser feita é: quem renovou o contrato de locação do posto?
Após obtermos esta resposta podemos perguntar diretamente para quem assinou a renovação.
10/07/2009 às 11:58
todos os postos de gasolina na cidade, estão tendo de se adequar a nova legislação municipal, ao que si, a referida lei trata dos tanques de combustível, proteção do solo e coisas do tipo
10/07/2009 às 12:02
Sobre a capacidade do Quadro Social, não vejo problemas do clube ter um estádio para 50 mil pessoas e possuir mais de 50 mil sócios.
O que não pode ser feito é dar entrada para todos os sócios de uma vez só. É por isso que foi extinta a categoria de sócio patrimonial, para obrigar os torcedores a comprar ingresso.
Isso já evita a superlotação do estádio.
10/07/2009 às 14:46
Leiam o Post todo, como um todo. Não valorizar nem sublinhar alguma palavra não-benvinda (Arena, grupos políticos, tumulto com a Brigada, por exemplo), porque o tema não é sobre elas. Escrevo sobre estratégias de administração que contemplem um novo modelo, uma mudança forte e radical em relação ao atual.
Como exemplo, sobre o problema associativo, percebam a importância face a resposta de Giuliano Vieceli: para que fazer campanha associativa além de 50.000 sócios se apenas tantos poderão assistir jogos (em qualquer dos estádios). Vendam-se ingressos para o torcedor e pronto. Todos na fila, sem exceção. Ao menos é mais democrático. Ou se criarem outras formas. O que está sendo feito a respeito? Eu, não sei.
Também programas isolados, bons quanto possam ser, descolados uns dos outros, não levarão a mais do que prolongar as dificuldades ou os custos sociais e financeiros. Os problemas reaparecerão logo adiante sob outra forma. O Clube precisa de mudança, não de reforma.
E, se a informação de Marcos Almeida, de acordo com um link que exibe em Comentário sobre outro Post, for confirmada, essas mudanças de área para a localização da Arena, a última a pedido de um “shopping”, passam ou não pela aprovação pelo Grêmio, pelo Conselho Deliberativo, ou ficam totalmente a critério do Grêmio Empreendimentos? Na última hipótese, sendo Grêmio o Controlador, terá valor legal ou não? Só não leiam que estou contra a Arena. Isso se refere apenas à necessidade de racionalização de métodos e processos na concepção administratica do Clube e apenas se a resposta for positiva. É apenas emblemático.
10/07/2009 às 19:42
SENHORES. SOBRE O POSTO DE GASOLINA O CONSELHO AUTORIZOU A FIRMATURA DO CONTRATO DESDE QUE A QUESTÃO COM O INQUILINO FOSSE DE RESPONSABILIDADE DA EMPRESA QUE IRIA ASSUMIR O COMPLEXO AZENHA APÓS A ARENA. LOGO NÃO VEJO MOTIVO PARA ESTA PREOCUPAÇÃO. QUANTAO AO ITEM DO SR. RAUL
” Leiam o Post todo, como um todo. Não valorizar nem sublinhar alguma palavra não-benvinda (Arena, grupos políticos, tumulto com a Brigada, por exemplo), porque o tema não é sobre elas. ”
ME SURPREENDE PORQUE AQUI QUALQUER TEMA QUE SE DISCUTA ACABA ENTRANDO A ARENA NO MEIO. E O SR. RAUL É O MAIS ASSÍDUO ARMADOR DESTA ESTRATÉGIA, O QUE DIGO POR CONSTATAR, É FATO. SE LANÇAR AQUI UM DEBATE SOBRE AS PERNAS DA GISELE, PA, ENTRA NO MEIO DA DISCUSSÃO A ARENA…… ENTÃO ABRAÇO A TODOS
11/07/2009 às 22:08
a mudança foi pragmática, lotearam o terreno para facilitar o empreendimento, tanto do ponto de vista de viabiliza-lo como gerencia-lo. Exemplo: ante hotel, arena e shopping formavam volume único, agora são indemepndentes