Dando sequência a esta série especial de entrevistas, os moderadores do Blog GRÊMIO SEMPRE IMORTAL postam a terceira entrevista sobre o tema ELEIÇÕES 2010, realizada com o Presidente do Movimento Grêmio Independente MILTON CAMARGO.
Enquanto ficamos no aguardo do retorno das demais entrevistas, convidamos todos a lerem e comentarem.
SI – O ano de 2010 será importante para o Clube também fora do campo. Em 2010 teremos 03 eleições importantes para o Grêmio (renovação do Conselho, eleição da mesa do Conselho e eleição da Diretoria Executiva do Clube). Qual a sua expectativa para esses 3 processos eleitorais?
MC – Torço para que seja um belo exercício de democracia e que os concorrentes possam expor com clareza seus projetos para o futuro do Grêmio. Espero, também, que seja permitido ao associado o direito ao voto, que ele possa participar e escolher a melhor alternativa para o seu time do coração. Espero que tudo isso seja possível, apesar das restrições impostas pela cláusula de barreira, que não conseguimos derrubar no ano passado.
Fundamental, também, que todo o necessário processo eleitoral corra paralelamente às disputas de campo, sem causar qualquer prejuízo ao desempenho do nosso time, que estará no Campeonato Brasileiro e na Sul Americana. Em síntese: eventuais divergências de grupos não devem se aproximar, jamais, da beira do campo.
SI – A última eleição para a renovação do Conselho Deliberativo – 2007 – foi muito disputada, tendo a chapa 3 garantido a sua representação no Conselho por pouquíssimos votos. O senhor acha que essa situação possa se repetir com uma chapa polarizando os votos dos associados ou teremos uma eleição mais equilibrada?
MC – Estamos aprendendo com o passar do tempo. Todos os movimentos tratam de se qualificar e, portanto, passam a se sentir capazes de comandar o Grêmio, refletindo sobre os erros de ontem, conferindo os novos modelos de gestão em clubes de futebol e apresentando propostas, projetos que geram expectativa e esperança no torcedor. Dessa forma, não vejo como hoje alguém possa disparar num processo eleitoral. A tendência, na minha ótica, é de uma eleição bem equilibrada. Bom que seja assim. É importante permitir que novos grupos tenham vez e voz no clube. Se apenas um movimento dominar o conselho do Grêmio, como ainda ocorre hoje, a regra é que eles ditem sempre as diretrizes para o clube, dificultando o surgimento de novas propostas e novas lideranças. Nessas condições, a tendência é tudo ficar decidido no Conselho Deliberativo pelo grupo majoritário, sem que a torcida seja ouvida.
SI – Na condição de presidente de um importante grupo político gremista, o senhor considera possível imaginarmos uma eleição para o Conselho com apenas 2 chapas registradas ou teremos a repetição do cenário da última eleição com 3 chapas?
MC – Deduzo que, hoje, a tendência é o surgimento de mais de duas chapas para a renovação do Conselho Deliberativo, na medida em que são muitos aqueles que querem começar a contribuir com o clube. São apenas 150 vagas para um significativo universo de gremistas interessados em obter vaga no Conselho. Logo, a montagem de chapas sempre fere suscetibilidades, não consegue agradar a todos os segmentos do clube. Sabemos que existem muitos movimentos organizados no Grêmio, por isso existe a perspectiva de que mais de duas chapas se apresentem à escolha dos associados.
SI – Muito se tem falado, discutido, escrito sobre a questão das ausências dos conselheiros nas reuniões convocadas pelo Conselho, onde uma forte cobrança recai sobre o presidente do Conselho Deliberativo quanto a não aplicação do art. 66 do Estatuto Social do Clube. O senhor não acha que seria uma excelente oportunidade para que os atuais grupos políticos existentes iniciassem uma “depuração” dos quadros do Conselho, excluindo de suas chapas aqueles conselheiros que são reconhecidamente ausentes, repartindo essa responsabilidade quando da montagem de suas chapas?
MC – Não tenho a menor duvida. Os gremistas podem ter certeza que o MGI chancelará uma nominata integrada por gremistas que estejam convencidos que ser guindado à condição de conselheiro, mais do que uma honraria, é um compromisso de trabalho e de colaboração com o crescimento do nosso clube.
A torcida pode ter certeza que faremos uma análise minuciosa de cada um dos conselheiros, cujos mandatos expiram em setembro. O histórico de cada um e sua participação dentro do Conselho será fator relevante para a sua permanência ou não na chapa.
SI – Qual a sua opinião quanto a possibilidade da presença de “figuras folclóricas” integrando chapas que irão concorrer para o Conselho Deliberativo?
MC – Tenho dificuldade para compreender o que significaria figuras folclóricas. Se a expressão quer significar pessoas que apenas poderiam “puxar” votos, mas que não tem serviços prestados ao clube e não estão envolvidos num projeto como o nosso, é certo que não comporão a nossa nominata. Carteiraço não garante espaço.
SI – O movimento que o senhor preside participará desse processo eleitoral de que forma? Já existe alguma articulação política para isso?
MC – Obviamente vamos participar. Até o momento, nosso trabalho foi o de mostrar ao associado o nosso perfil, as nossas propostas para um Grêmio muito melhor do que o atual. Em principio lançaremos uma chapa que poderá ser apenas com apoiadores do nosso movimento, mas que poderá contar, também, com outros nomes que simpatizem com outros grupos, desde que habilitados a transformar para melhor a atual composição do conselho do clube.
SI – Quantos conselheiros ligados ao seu movimento estarão renovando em setembro?
MC – Cerca de 10. A maioria dos nossos conselheiros foi eleita em 2007. Portanto, permanecem mais três anos no Conselho.
SI – Se fosse citar, quantos novos nomes o Grêmio Independente irá apresentar ao associado na eleição do Conselho Deliberativo?
MC – Seria prematuro dizer. Além disso, essa composição passa por debates internos, avaliações de capacidade, integração, identificação com as ideias do movimento. Asseguro que temos muitos nomes qualificados e que vai ser difícil esse processo de escolha, porque certamente não poderemos incluir todos aqueles que gostaríamos e que merecem contribuir diretamente com o Grêmio.
SI – O Grêmio Independente integra hoje o bloco de oposição a atual gestão do Grêmio. O senhor entende que essa união prevalecerá para as eleições deste ano ou é possível o seu grupo estar junto na eleição para renovação do Conselho com algum grupo que hoje integra a situação?
MC – Seria precipitação minha falar em composições, na medida em que ainda não deflagramos esse processo eleitoral, o que devemos fazer com calma, com equilíbrio, mais adiante, pensando naquilo que for melhor para o Grêmio. Por óbvio, seguiremos uma linha de coerência com as nossas propostas feitas ao longo desses anos. Só assim poderemos dar consistência ao nosso projeto de disputar a Presidência do Clube, oferecendo uma alternativa moderna, eficiente e capaz de empolgar nossos associados.
SI – O “sonho” de todos os gremistas é ver uma grande união dos grupos políticos tricolores. O senhor avalia isso como sendo apenas um sonho ou algo possível de ocorrer na prática ainda em 2010?
MC – O sonho, como a palavra sugere, é alguma coisa que gostaríamos fosse realizável. É teoria, é pensamento às vezes “mágico”, mas não é o concreto, não é o real. Quem dirige um movimento, quem tem responsabilidades e compromissos com um segmento significativo de gremistas que acreditam num projeto, sabe que é preciso ser realista, sem ser radical. É inegável que os diversos movimentos do clube querem vitórias, títulos. Mas cada um, em particular, imagina que tenha a melhor proposta e que é mais competente que os outros. Por isso não devemos alimentar falsas ilusões. Seria uma tarefa hercúlea obter essa tal união, porque seria preciso superar vaidades, projetos pessoais, necessidade de deter o domínio do clube e o controle dos postos chaves da administração.
Na verdade, o conflito concreto que se observa – e joga a ideia da grande “união” para o mundo dos sonhos – é que, de um lado estão aqueles que há anos comandam o Grêmio e não querem passar a meros coadjuvantes, mesmo que os resultados dos últimos anos, especialmente dentro do campo, venham sendo pífios.
De outro lado, estão aqueles que estão fora, vem se preparando há anos e que imaginam que chegou o momento de assumir os destinos do Grêmio.
É possível superar esse conflito, que é antigo, que é histórico e que deixou tantas sequelas ruins nos últimos anos? Se alguém tiver essa fórmula, claro que sentamos à mesa.
SI – Para finalizar, considerando o quórum das últimas eleições e o número de associados aptos a votar, como fazer para que o eleitor tricolor com direito a voto vá até o Olímpico exercer o seu direito em um número realmente expressivo?
MC – Conscientizar ainda mais a torcida de sua importância para interferir nos destinos do clube. Isso não é uma mera frase de efeito. O associado precisa saber que pode colaborar não só na hora do jogo, nas arquibancadas com seu grito, com sua bandeira, mas participando dos processos eleitorais, interferindo na escolha daqueles que acreditem sejam os mais aptos para recolocar o Grêmio na trilha das vitórias e dos títulos. Nem todo o gremista pode ser conselheiro, porque somos apenas 300 estatutariamente. Mas todos podem e devem ajudar a decidir quais são aqueles mais aptos a fazer o Grêmio melhor.
Por isso, é fundamental que a torcida saiba que a eleição que renova os 150 conselheiros pode ampliar e consolidar o domínio do grupo que hoje comanda o clube, ou pode permitir que as oposições consigam ter pelo menos 30% de conselheiros, que permitirá levar às ruas e colocar nas mãos de seus torcedores, o direito de decidir quem deve ser o nosso futuro Presidente.
Se nós não renovarmos em setembro, os mesmos de sempre vão decidir numa sessão do Conselho quem vai ser o próximo Presidente, goste a torcida ou não.
Se nós da oposição alcançarmos esse percentual, podem ter certeza que em seguida, vocês, gremistas, terão o direito de escolher o futuro Presidente, através da eleição direta.
Quero ainda agregar que iniciativas com a do BLOG GRÊMIO SEMPRE IMORTAL são valiosíssimas porque possibilitam ao torcedor conscientizar-se da importância dessas escolhas. Estamos convencidos que os títulos começam a ser conquistados muito antes de o juiz dar inicio a uma partida de futebol, pois com um clube bem dirigido, os resultados de campo virão mais facilmente.

Escrito por gfbpa 

Em maio do ano passado, os moderadores do Blog GRÊMIO SEMPRE IMORTAL postaram uma nota dando conta que em breve os torcedores gremistas poderiam acompanhar os jogos do Grêmio através de uma frequência exclusivamente tricolor.



Objetivando dar conhecimento dos trabalhos realizados pela Comissão designada para tratar do tema envolvendo os integrantes do Quadro Social gremista e sua situação na Arena, o Movimento Grêmio Acima de Tudo estará realizar uma reunião-almoço com a presença dos conselheiros Saul Berdichevski e Fábio Irigoite.



