Crime de lesa-pátria: correção de rumos.
Primeiro, eu gostaria de fazer uma correção sobre as manchetes estampadas em alguns jornais: o Brasil não saiu às ruas, o Brasil sai todos os dias às ruas para trabalhar. Ontem, nós reivindicamos um acerto político: eu tenho a obrigação de votar, mas os políticos não têm obrigação nenhuma, a não ser o próprio interesse: chega! Chega de corrupção!
Está claro que as passeatas não são exclusivamente para baixarem o preço da passagem, ou contra a Copa do Mundo no Brasil. O meu dinheiro está financiando a reforma do Estádio Mané Garrincha? Na rua Cabral em Porto Alegre tem uma escola pública, há anos, fechada. Definitivamente, reformar estádios em vez de abrir escolas, é muito desrespeito com o povo. Ao lado das notícias sobre a seleção, sobre a pujança da Copa das Confederações, está uma página inteira falando sobre a superlotação das UTI’s. Um exemplo: o deputado federal José Genuíno está cumprindo sua sentença penal com um posto na Comissão de Constituição e Justiça no Congresso Nacional, outro é a famosa inconstância partidária, claro está que, quem troca tanto de partido, na verdade nunca trocou nada – persegue ávida e exclusivamente o próprio interesse pessoal. Os políticos não nos representam? A parcela da culpa é nossa – votamos em qualquer um – bom, quem vota em qualquer um, recebe qualquer coisa, no caso desrespeito (lei da reciprocidade).
Interessante ver a postura das autoridades, da imprensa e de algumas pessoas exigindo dos manifestantes uma atuação pacífica e controlada, cheia discernimentos e tranquilidades. Mas quando o governo nos desgoverna, nos retira o direito à dignidade nos atendimentos hospitalares, nas salas de aula não vejo ninguém exigindo o mínimo dos governos. Jovens perdendo o controle são vândalos que ofuscam a beleza da manifestação popular, mas governantes que desviam milhões em mensalões, licitações em tribunais são dignos de infinitos processos judiciais e amplas defesas que invariavelmente acabam ou no esquecimento ou nas faltas de prova.
As pessoas cansam e chega um momento em que não é necessária a causa para lutar, não é necessário um objetivo único. Luta-se pela simples indignação, cansamos do cansaço e da nossa própria apatia. Ninguém mais presta atenção no que é dito nos jornais e pelos jornalistas que querem ensinar as pessoas como devem protestar, como devem comportar-se nas passeatas. Todos já perceberam que a imprensa nada mais é que o braço literário dos governos corruptos.
Chega, chega de desrespeito, chega de corrupção. Eu sou terminantemente contra a violência, mas convenhamos – como não se revoltar com tamanho desrespeito?
E, para falar do Grêmio, ontem indo para Canoas, observei que a Arena assiste de forma imponente, aos infinitos congestionamentos da BR, que por falta de uma adequada infraestrutura, atrasam os trabalhadores e a economia do Brasil: o famoso e inesquecível – Custo Brasil. E ainda estão construindo um CT no outro lado para evitar de todas as maneiras a futura duplicação, ou seja, BR congestionada para toda a eternidade, pois incompetência pouca é bobagem.
É isso aí, ou não.
Anderson Kegler
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